No último feriado eu havia programado em pedalar de
Canoas até Tramandaí (RS). Mas um contratempo forçou-me a mudar os planos, e
acabei levando a MTB embarcada até Osório. Dali resolvi subir até a Borussia
e ir até o Caraá, pois alguns colegas estavam pedalando por lá no dia 31 de
outubro de 2009.
A
previsão do tempo estava marcando "apenas" 35 graus, o que faria
com que a subida de dois quilômetros ficasse ainda mais divertida...
Bem,
alguém já havia passado antes por lá e resolveu colocar o Calvário na beira
da estrada; talvez para relembrar que há muitos anos já havia gente que
pagava os pecados em subidas. E naquele dia, com aquele calor e a bike
pesada, foi a minha vez...
Depois
de suar bicas e sofrer bastante, as coisa começaram a melhorar. Lá em
cima já é plano e a paisagem muito bonita!
Riachos
e cachoeiras estão por toda a parte. Um convite para largar a bike e meter a
cara na água!
Mas
nesse dia eu só queria saber de estrada. E lá fui eu novamente. Estava
tentando encontrar os colegas de pedal. Um deles é bem conhecido aqui no fórum.
Mas eu já estava desconfiado que eles não estariam por ali, pois havia visto
um veículo com suporte de bike estacionado alguns quilômetros antes. Isto significava
que enquanto eu subia encharcado, eles haviam subido embarcados. Logo,
estavam já bem longe dali. E naquele calorão desgraçado (já deveria estar
perto de 40 graus), não haveria jeito de eu conseguir alcançá-los.
Continuei
então pelas estradinhas, que estão em ótimas condições e praticamente
desertas o tempo todo. Eventualmente alguém passava por mim de moto,
quebrando o silêncio e a tranqüilidade.
Como em
qualquer lugar sempre encontramos igrejas pelo caminho. Essa aí é a da
Borussia. Ao lado da igreja, o tradicional salão paroquial. Parece que o
pessoal estava se preparando para o evento do ano: a Festa da Latinha...
Pelo
jeito o tal Baile da Latinha atrai muitos participantes. Acho que
alguns bebem até esticar a canela, aproveitando que o cemitério fica bem ali
em frente...
Com o
sol escaldando meus miolos e a região sem chuvas há cerca de uma semana, as
estradas estavam uma poeira só. Dêem só uma olhadinha na magrela, que havia
começado o passeio bem limpinha e bem cheirosa...
Como o
calor estava demais e eu teria de pedalar mais 25 km até chegar ao
litoral, resolvi partir para Tramandaí. Mas aí chegou a hora da
"vingança". Aquela subida que tanto me fez sofrer antes agora
estava transformada em uma delícia de descida! Sem fazer qualquer
esforço, a bike pegou uma velocidade incrível. Cheguei facilmente ao meu
recorde (he he he) de 65
km/h em apenas 300 ou 400 metros. Mas como
as placas avisam, o perigo existe. Vale para ciclistas também. Ao final de
cada trecho, curvas de arrepiar em ângulos de 90 graus ou menos. Qualquer
descuido pode ser fatal.

E assim
foi o passeio de sábado no Caraá / Borussia. E os colegas de pedal? Não
encontrei nenhum deles. Dizem (versões não oficiais) que um deles, um
conhecido advogado de Porto Alegre, teria sido visto dormindo embaixo de uma
árvore cerca de 150
metros de onde o carro estava estacionado. Dizem que
ele teria ido a uma festança ou churrascada na noite anterior e por isso o
rendimento no pedal estava prejudicado. Dizem...
O
passeio transcorreu todo em cerca de 6 horas e os 50 quilômetros
foram percorridos sem quaisquer incidentes. Bike e biker chegaram ao destino
sãos e salvos, sendo que o último uns 2 kg mais magro, apesar dos 2,5 litros de água
para amenizar o calor infernal.